Impacto das exacerbações nos doentes com DPOC

Dr.ª Ana Filipa Machado

Estudante de Doutoramento no Lab3R – Laboratório de Investigação e Reabilitação Respiratória da Universidade de Aveiro

Giving voice to patients – experiences during acute exacerbations of COPD

As exacerbações agudas da DPOC têm um impacto negativo no estado de saúde dos doentes e na progressão da sua doença. No entanto, a sua apresentação clínica é heterogénea e ainda pouco compreendida. É, portanto, necessário compreender melhor o impacto das exacerbações de forma a melhorar as estratégias de tratamento. Até ao momento, a maior parte dos estudos foram conduzidos em doentes hospitalizados, que apresentam exacerbações severas, quando mais de 80% das exacerbações da DPOC são geridas em ambulatório e, portanto, de severidade leve a moderada. Assim, o nosso objetivo foi explorar a experiência dos doentes durante as exacerbações leves a moderadas da DPOC.

Para tal, conduzimos um estudo qualitativo em doentes com exacerbações leves a moderadas da DPOC, de acordo com os critérios GOLD, integrado num estudo randomizado controlado que avalia os efeitos da reabilitação respiratória durante exacerbações comunitárias da DPOC.

Realizámos entrevistas curtas, semiestruturadas, em casa dos participantes, até 48h após o diagnóstico de exacerbação. As entrevistas foram gravadas e transcritas, sendo os nomes dos participantes anonimizados. Por fim, realizámos uma análise temática no Web Qualitative Data Analysis software. Para esta apresentação, a nossa análise focou-se no impacto das exacerbações da DPOC. Todas as entrevistas foram conduzidas antes da COVID-19.

Incluímos 11 doentes com exacerbação da DPOC, maioritariamente homens, com uma média de idades de 67 anos e um FEV1 médio de 41% do previsto. 10 apresentavam exacerbação moderada e 1 exacerbação leve.

Todos os participantes reportaram um impacto negativo da exacerbação, o qual foi descrito através de 7 subtemas: sintomas, limitações nas atividades de vida diária, desafios emocionais, alterações fisiológicas, limitações nas atividades sociais e recreativas, trabalho e distúrbios familiares. Por exemplo, um participante referiu: “Eu já não tenho vontade nem de ir para a rua. É que não tenho mesmo. Já não quero fazer nada, já não me apetece sair de casa”.

Com base nos nossos resultados concluímos que as exacerbações da DPOC têm um impacto elevado na vida diária dos doentes, mesmo quando não requerem hospitalização. Através de um melhor entendimento das exacerbações da DPOC na perspetiva dos doentes, este estudo contribui com uma base para o desenvolvimento de intervenções durante as exacerbações da DPOC que sejam significativas e centradas no doente.

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