Qualidade de vida na DPOC – a hiperinsuflação importa?

Dr.ª Inês Ladeira

Pneumologista no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho

Qualidade de vida na DPOC – a hiperinsuflação importa?

A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) é uma das principais causas de morte em todo o mundo. Ao longo dos últimos anos o diagnóstico e seguimento dos doentes DPOC deixou de estar apenas centrado na obstrução ao fluxo aéreo e passou a privilegiar a identificação e controlo de sintomas, a avaliação e melhoria da capacidade de exercício e a redução de exacerbações, como pontos-chave na qualidade de vida destes indivíduos. O objetivo do nosso estudo foi explorar a relação entre a hiperinsuflação e os sintomas e a qualidade de vida, usando questionários validados (mMRC, CAT e CCQ) nos doentes com DPOC. Para tal, conduzimos um estudo prospetivo com inclusão de doentes com DPOC estável e os doentes foram divididos em 2 grupos de acordo com a hiperinsuflação e o air-trapping (TLC> 120%, RV> 120% e RV/TLC> 120%).

Incluímos 124 doentes, maioritariamente homens (87%), com idade média 66± anos. Comparando os grupos, verificamos que os doentes hiperinsuflados apresentavam valores mais elevados no mMRC (43% dos doentes com insuflação tinham mMRC≥2) e CCQ (53% com CCQ ≥1.5). Considerando o CAT, pudemos encontrar uma correlação com o RV e o RV/TLC.

Com base nos nossos resultados concluímos que a hiperinsuflação e o aprisionamento aéreo têm impacto na qualidade de vida dos doentes com DPOC.