Tratamento cirúrgico do empiema

Dr.ª Maria João Araújo

Interna de Pneumologia do Hospital de Braga

Póster

Surgical management of empyema – 5 years review

O empiema define-se como uma coleção purulenta na cavidade pleural e associa-se a uma elevada morbimortalidade. A etiologia mais comum do empiema é a pneumonia bacteriana com derrame pleural para-pneumónico. Outras causas incluem o carcinoma broncogénico, rutura esofágica, trauma torácico, mediastinite com extensão pleural, entre outras. O tratamento do empiema inclui o uso de antibióticos sistêmicos e drenagem pleural. Em estádios precoces e empiemas minimamente septados, o dreno torácico é a abordagem de primeira linha.  Derrames multiloculados estão associados a piores outcomes e têm maior probabilidade de requerer cirurgia. No empiema crónico (estádio III), a cirurgia está recomendada. 

Foi realizada uma análise retrospetiva dos doentes com empiema torácico submetidos a tratamento cirúrgico entre 2015 e 2020, tendo sido realizada uma analise retrospetiva dos do

Foram incluídos 56 doentes, dos quais 75% eram do género masculino com uma média de idade de 52±16 anos. O empiema ocorreu do lado direito em 55.4% dos casos. A pneumonia foi a principal causa (78.6%) de empiema, seguida do trauma torácico (14.3%). A análise microbiológica do líquido pleural identificou o agente etiológico em 15 doentes (26.8%), sendo o pneumococos e MSSA os mais frequentes. 79% dos doentes foram primeiro submetidos a drenagem torácica e posteriormente a cirurgia por falência do tratamento, com uma média de 12 dias (IQR 8-21) entre os dois procedimentos. A maioria dos doentes (91%) apresentava empiema em estádio III no momento da cirurgia e apenas 9% estádio II. A cirurgia torácica vídeo-assistida foi o método cirúrgica preferido, realizado em 98% dos casos.  Complicações no pós-operatório ocorreram em 21 doentes, a maioria em doentes com estádio III (95%), sendo a funda aérea prolongada (30%) e a deiscência de sutura (7%) as mais frequentes. Em média, o dreno torácico foi removido no 5.º dia do pós-operatório e os doentes tiveram a no 9.º dia do pós-operatório. Dois doentes necessitaram de um procedimento subsequente por persistência da infeção pleural e 2 foram readmitidos aos 90 dias. A mortalidade hospitalar foi de 3.6%. 

A forma mais comum de empiema foi o para-pneumónico, causado por bactérias gram-positivas, em concordância com o que está descrito na literatura. Quase todos os doentes foram submetidos a cirurgia em estádio avançados (III), o que pode explicar a elevada taxa de complicações registada. Como tal, a cirurgia em doentes com empiemas complicados pode reduzir o tempo de internamento, duração do tempo com dreno torácico e as complicações.

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